Compreensão da Lembrança de Si

Não Estamos Conscientes, Mas Podemos Nos Tornar Conscientes

Ouspensky: Você pode chegar à compreensão da lembrança de si (self-remembering) de muitas maneiras diferentes. Por exemplo, quando ouvi pela primeira vez sobre ela, lembro que foi muito estranho. A ideia impactou-me como sendo uma ideia enorme. Eu estava estudando psicologia durante muitos anos e percebi que em toda a psicologia que eu tinha estudado, essa ideia não era conhecida. Abismou-me o quanto pensamos erradamente e que tínhamos perdido a maior verdade, o fato de que não nos lembramos de nós e de que poderíamos nos lembrar é o maior fato em toda a psicologia - a possibilidade da consciência uma é uma tremenda ideia. Ou outras pessoas que conheço, perceberam que nunca foram mestres de si mesmas; Outras pessoas ficaram interessadas ao descobrir que se a pessoa decide fazer uma coisa durante o sono, sem consciência, então não é uma ação dela mesma, aquilo apenas acontece. É necessário começar com essa ideia, ver suas aplicações e conexões.

Pergunta: Você disse que quando percebemos que não nos lembramos de nós estamos mais perto da lembrança de si. Vejo agora que não me lembro de mim mesmo, mas não vou mais longe que isso.

O: Vá mais fundo. Nada mais é necessário. Realize mais e mais, cada vez mais profundamente, que nem você e nem as outras pessoas se lembram, que ninguém lembra de si mesmo. Isso o levará para a lembrança de si mais do que qualquer outra coisa. Nossa dificuldade é principalmente dependente da falta de percepção de que não nos lembramos de nós mesmos. Se percebêssemos com mais frequência que não nos lembramos e que as outras pessoas também não, que ninguém se lembra de si mesmo, então começaríamos a lembrar, apenas através disso.

P: Como podemos aprender a parar os pensamentos?

O: Através da lembrança de si. Os pensamentos param de imediato.

P: Você disse que o tipo de energia utilizada para a lembrança de si pode ser aumentada quando se quer. Como isso pode ser feito?

O: Ao tentar lembrar de si mesmo e através da observação. Suas impressões trazem energia. Se você olha e não vê, você perde energia, mas se você observa e vê, isso significa que você adquire mais energia.

P: É possível de repente transformar a energia da raiva em alguma coisa? Temos uma energia tremenda, mas não sabemos como usá-la.

O: Ao não se identificar. Temos uma energia enorme e ela funciona por si mesma, faz-nos agir de certa maneira. Por quê? Qual é o elo de ligação? A identificação é o elo. Pare a identificação e você terá a energia à sua disposição. Como você pode fazer isso? Não é de uma vez. Isso precisa de prática. Pratique nos momentos fáceis. Quando a emoção é muito forte, não se pode. É necessário saber mais para estar preparado. Se você sabe como não se identificar nos momentos certos, você terá muita energia à sua disposição. O que você vai fazer com ela é outra coisa. Você pode perdê-la em algo completamente inútil. Mas é preciso prática. Você não pode aprender a nadar se você cair no mar durante uma tempestade. Você deve aprender em águas calmas. Então, talvez, se você cair, você será capaz de nadar.

P: Devemos compreender que a lembrança de si significa consciência?

O: Mais uma vez, não só consciência. Significa também uma certa capacidade de agir de uma determinada maneira, de fazer o que se quer. Você vê, em nosso pensamento lógico, no conhecimento lógico, nós separamos a consciência da vontade. Consciência significa vontade. Em russo, por exemplo, a palavra vontade é a mesma que liberdade. Nas línguas com raízes latinas, eles desconsideram o significado, dão-lhe outro significado. A palavra consciência significa uma combinação de todo o conhecimento, como se você tivesse todo o seu conhecimento diante de você ao mesmo tempo. Mas consciência significa também vontade, e vontade significa liberdade.

P: Existe alguma maneira pela qual podemos lembrar mais claramente o que compreendemos quando estávamos em um estado melhor?

O: Isso é uma coisa muito importante, mas eu não sei de um método especial. Esses momentos devem estar ligados. Olhe para trás, tente comparar. Isso é particularmente importante em relação a alguma questão definida. Você pode entender algo que você não entendeu meia hora atrás. Mas talvez antes tenha havido momentos em que você também entendeu alguma coisa a esse respeito. Tente lembrar desses momentos e conectá-los.

P: A lembrança de si tem conexão com "Eu sou o que sou?".

O: Esta é uma ideia filosófica. Em outras palavras, O Absoluto pode ser chamado de "Eu" ou "Ego" - não tem nada a ver os imaginários "eus" humanos. Isso também está relacionado com uma outra ideia, que só Deus tem o direito de chamar-se de "Eu" - e nós nos chamamos de "eu".

P: O que você quis dizer quando disse que temos de tentar lembrar de si quando é mais difícil?

O: Você sabe que não deve fazer alguma coisa. Uma parte de você quer fazer isso. Então você lembra de si e pára isso. A lembrança de si tem um elemento de Vontade nela. Se fosse apenas ao sonhar "Eu sou, eu sou, eu sou" não valeria de nada. Você deve dar um certo tempo simplesmente para estudar o que significa lembrar e o que não lembrar significa e os efeitos que lembrar e não lembrar têm. Depois, você pode inventar muitas maneiras diferentes de lembrar de si mesmo. Mas na verdade, a lembrança não é intelectual, abstrata. São momentos de vontade. Não é pensamento, é ação. Ela significa controle. Caso contrário, qual é o uso de lembrar de si mesmo se não aumentar o controle? Você só pode controlar a si mesmo em momentos de lembrança de si. Controle mecânico proveniente da formação, da educação e assim por diante, não é controle: quando a pessoa é ensinada a se comportar de uma determinada maneira em determinadas circunstâncias.

P: Qual é a aplicação prática deste sistema?

O: Por exemplo, uma possibilidade de estabelecer o nosso estado de consciência e a possibilidade de aumentar a nossa consciência através da lembrança de si - isso imediatamente se torna prático, foi isso que primeiramente me surpreendeu quando comecei a estudar o sistema, que é particularmente importante e particularmente interessante (pois os sistemas do Oriente deixavam escapar esse ponto) que não estamos conscientes e que podemos nos tornar conscientes. Houveram peças e livros interessantes, mas eles foram muito específicos, ou saíram sob o nome de filosofia, e geralmente foram escritos em linguagem difícil de tal forma que permaneceram desconhecidos para o público geral.

P. D. Ouspensky

Fonte: http://ricardo-yoga.blogspot.com/

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