Vocês Já São Iluminados - Osho


Iluminação não é algo a obter, é a sua própria natureza
 
 
Pergunta: "Amado Osho, eu ouvi você dizer que nós somos todos Budas, iluminados, já realizados. Se isso é verdade, por que estou esperando que algo aconteça? Trata-se de um velho hábito ou de um truque da mente?"
 
Osho: Veet Vigyanam,

Uma coisa é ouvir, a outra coisa é entender. Você me ouviu dizer que nós somos todos iluminados, mas você não confiou nisso - pelo menos você excluiu a si próprio.
 
"Talvez todos sejam, mas eu sou um iluminado?"

Isto era demais para você aceitar, consequentemente, fez a pergunta. Sua questão mostra a sua mais profunda agitação. Você está dizendo: "Se é assim..." Veja: eu não disse que sua iluminação trata-se da probabilidade que talvez você seja iluminado, talvez você não seja. Não há nenhum "se" e nenhum "mas"... é uma simples declaração: "você é iluminado e não pode ser qualquer outra coisa que não seja um iluminado".

Eu entendo a sua dificuldade. Disseram que você é ignorante e você aceitou, que não é bonito e você aceitou. Apenas observe quantas coisas você tem aceitado. Desde a sua infância, não lhe deram a observação correta. Você tem sempre sido puxado e empurrado de uma forma ou de outra: "Torne-se isso, torne-se aquilo."
 
Ninguém sequer pensou que se a existência quisesse apenas "Gautamas Budas", ela teria manufaturado "Gautamas Budas", exatamente da mesma forma como uma fábrica Ford produz carros Ford, numa linha de montagem - todos exatamente iguais, com tremenda eficiência. A cada minuto um carro novo sai da linha de montagem, vinte e quatro horas por dia, mas a existência não acredita numa situação na qual todos são iguais.
 
A iluminação de Gautama Buda está fadada a ser a iluminação de Gautama Buda. A sua iluminação está fadada a ser a sua iluminação.
 
Seu problema também surge da comparação. Você começou a pensar: "Se eu sou iluminado, então por que eu não sou um Gautama Buda, ou um Jesus Cristo, ou Bodhidharma? Eu sou apenas Veet Vigyanam. Ninguém me venera. Eu saio por aí e ninguém sequer me nota. Que tipo de iluminação é esta? Certamente eu ainda não a atingi. Certamente ela não ocorreu ainda, ela terá de acontecer."
 
A ideia de que a iluminação é algo a atingir tem sido propagada com enorme consistência, por milhares de anos. Eu digo a você que iluminação não é algo a obter, é a sua própria natureza. Se você a está perdendo, a razão não é que você ainda não a atingiu. A razão é que você está procurando por ela a sua volta, em todos os lugares, excluindo você mesmo. Indo a todos os templos, lendo cada escritura sagrada, visitando todos os tipos de pessoas estúpidas que pretendem ser mestres.
 
Eu quero que declare, neste mesmo instante, que você é iluminado. Não importa! Não é necessário que todos devam adorar você. Por que alguém deveria adorá-lo? Você está criando condições desnecessárias para a iluminação. Deixe-me dizer de um modo diferente.
 
No momento em que você respeita a si próprio como iluminado, não pode fazer outra coisa a não ser respeitar a todos como iluminados da forma que eles são. Não existe a necessidade de que todos se enquadrem em certa categoria. Iluminação não é só uma categoria "x" onde você tem de comer certo tipo de comida. Se tivesse certa regra como esta - como a de comer espaguete - eu teria renunciado à iluminação. É bom que nenhuma escritura sagrada diga que espaguete é a característica de um homem iluminado.
 
Se você me entende, que na sua própria ordinariedade, você é perfeitamente bom. Nada precisa ser acrescido a você.
 
E se pode relaxar nessa ordinariedade, esta própria ordinariedade, devido ao seu relaxamento, tornar-se-á radiante, começará a desabrochar. A sua aceitação, o respeito com você mesmo, será uma nutrição, trará a primavera para seu ser e as flores começarão a abrir suas pétalas.

Mas você nunca está em casa. Você está procurando na casa dos outros. Alguns estão na casa de Gautama Buda, outros estão na casa de Lao Tsé, uns na casa de Jesus Cristo, outros na casa de Moisés... É uma situação muito estranha que você tenha se desviado de tal forma a ponto de todos estarem em um outro lugar, onde não se espera que ele esteja. Ele não está onde a existência quer que ele esteja.
 
Eu ensino a imediata e definitiva ordinariedade. É a mais bonita experiência, porque agora não existe nenhum desejo, nenhuma tensão, nenhuma busca, nenhuma inquirição, nenhum lugar para onde você ir. Você já está onde você gostaria de estar. E mesmo assim você está perguntando: "Se é assim, por que eu ainda estou esperando que algo aconteça?" Agora, eu tenho que responder isto?
 
Talvez esta seja a sua única iluminação, onde, apesar de ser iluminado, você, ainda assim, procura por algo que ainda vai acontecer. Um pouco maluco - mas isso não destrói a sua iluminação. E um pouco de pessoas malucas também são necessárias. Elas trazem sal para a existência. A existência sem pessoas malucas perderá algo bastante interessante.
 
Mas você não pode aceitar isso. Você continua perguntando: "Trata-se de um velho hábito?". Apenas tentando consolar a si próprio que, apesar de ser iluminado, devido a um velho hábito, continua procurando aqui e ali. Mas, por mais que você procure aqui e ali, sempre será nutrido pelo velho hábito. Estará praticando o velho hábito. É difícil comer sua comida silenciosa e graciosamente, dormir com o máximo de bem aventurança, tendo uma vida ordinária de ser um carpinteiro ou um sapateiro, ou ser um pintor, um poeta, um dançarino e relaxando no que quer que você seja, sem ter ideais...
 
Minha própria abordagem é tomar de você os ideais e jogar fora a própria ideia de que a iluminação é algo que acontecerá no futuro. O futuro não existe! De fato, a ideia de que ela irá acontecer no futuro é simplesmente para evitar o respeito a si mesmo que você pode ter apenas no presente.

Há professores e eles não foram mestres, eles foram tão inconscientes quanto você é. Eles não estavam conscientes da própria iluminação. Ensinaram moralidade, disciplina, métodos, como se tornar iluminado. Trata-se de uma coisa muito simples. Se você pode se tornar doente, pode se tornar saudável e pode se tornar doente novamente. Iluminação não é algo que você tenha que alcançar, porque o que pode ser conquistado pode ser roubado.
 
Eu lhe digo isso: "Você é a própria Iluminação". Eu não quero que você atinja a iluminação. Eu quero que você a vivencie. A partir desse momento, o que quer que você faça, faça-o do jeito que a iluminação o faria. A iluminação deve ser uma experiência individual, a mais individual das experiências, incomparável e única para todos. Uma vez que isso é entendido, todas as nuvens escuras começam a se dissipar.
 
Veet Vigyanam, eu continuarei repetindo de novo e de novo, até que isso fique bem claro, que você é um iluminado. E você não tem de fazer nada de especial por isso; tem apenas que ser o que você é, totalmente relaxado, em paz com a existência.
 
Não indo a lugar algum, não tendo de atingir meta alguma. Toda a orientação para as metas é que está tornando as pessoas miseráveis. Disperse todos os objetivos e você começará a dançar neste momento, você tem muita energia envolvida nesse processo de adquirir. Por mover-se distante em sua imaginação, você não tem tempo, não tem espaço, não tem energia para estar aqui (no agora). Se você puder juntar toda a sua energia neste momento, apenas a acumulação daquela energia se tornará uma dança em seu coração. E a dança transforma tudo, não os seus esforços.
 
Apenas aproveite a vida. Ela é perfeita do jeito que é. Toda ideia de perfeccionismo cria apenas neurose, patologia e desarranjo da mente.
 
 
 

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Maior é o que está em vós do que o que está no mundo (I João 4:4)